Apresentação


Em 1997, é fundada a Associação dos Pediatras do Hospital Florianópolis, em Florianópolis-SC, que tinha como uma de suas finalidades levar informações aos pediatras catarinenses sobre suas profissões, melhorando, consequentemente, a qualidade de vida da criança catarinense.

Para isso, nasceu a Revista Pediatria Dia a Dia, ainda naquele ano. Hoje, a Revista é referência para os principais pediatras do Brasil, pois informa e atualiza, de forma direta e diferenciada, os mesmos.

Com o objetivo de atingir maior público e de maneira eficaz, com atualização pediátrica em tempo real, viu-se a necessidade da veiculação mensal da Revista Pediatria Dia a Dia, dessa vez, em formato digital.

Educar sempre, palmada nunca PDF Imprimir E-mail
Colunas - Dr Cecim El Achkar
Qua, 04 de Agosto de 2010 10:22

Uma das mais recentes polêmicas envolvendo a educação é o fato de o Governo Federal ter enviado ao Congresso, na última semana, um projeto de lei que proíbe a prática do castigo físico em crianças – e aí se inclui beliscar, empurrar, bater ou dar palmadas em menores de idade. Já temos uma lei (Lei 8.096) que condena maus-tratos contra a criança e o adolescente, que faz parte do Estatuto da Criança e do Adolescente, mas não determina exatamente que tipo de maus-tratos, se físicos ou morais.


Aprovado ou não, tal projeto de lei servirá principalmente para que a sociedade reflita sobre os problemas que estão dentro de suas próprias casas e não somente sobre o que é mostrado na TV todos os dias. A discussão vale para que os jovens, e também os que já são pais, avaliem se estão prontos para educar uma criança, ensinar pelo amor e pelos exemplos qual o melhor caminho para os filhos trilharem. A criança gosta e aprende mais com o estilo de vida e com os exemplos dos pais do que com as palavras passadas por eles. Criança gosta de poucas palavras, que devem ser firmes e convictas, prefere ação e também limites, porque isso as acalma e demonstra o amor do pai e da mãe. Mas, o limite a ser dado para uma criança dependerá de cada caso, porque o ser humano é único – o caminho que irá seguir também. 
Quando os pais são presentes, conscientes e responsáveis, certamente saberão como educar seus filhos e não será necessária a existência de uma lei para regular isso. Não deixar passar dos limites é o grande segredo do educar. Quando a criança se passa, ao invés de lançar uma palmada, pode-se colocá-la para meditar no quarto ou num canto da casa, porque do que o ser humano precisa hoje é ter um tempo, todos os dias, para refletir e, por isso, quanto mais cedo a criança aprender a meditar, melhor será sua vida lá na frente. 
Quando um pai ou uma mãe chega a bater no seu filho, é porque perdeu toda razão e deixou o limite avançar mais do que deveria. Faltou preparação, faltou educação primeiramente para os pais, faltou tempo para investir nos filhos. Toda ação de violência vai gerar mais violência e, como as crianças aprendem com as atitudes dos pais, “se o pai pode me bater eu também posso”, portanto a violência se perpetua, de geração em geração. Se os pais falam palavrão ou agridem, os filhos vão imitar, e na escola, por exemplo, vão fazer o mesmo. Não podemos esquecer que toda ação tem reação em sentido contrário com a mesma intensidade.
Mas, o que fazer quando os filhos chegam à adolescência e passam a tratar os pais com agressividade e violência? Se isso acontece, é porque cometemos algum erro em um momento lá atrás. Nessa idade, em trânsito entre a infância e a idade adulta, eles ainda devem obedecer aos pais, que são de quem dependem economicamente. A ação educadora é então tirar o que eles gostam, como mesada, computador, celular, e quando perderem isso é que passarão a valorizar aqueles que os dão todo o conforto e carinho, que somos nós os pais. 
O educar é um processo contínuo, que inicia no nascimento e se completa quase 100% com a retirada das fraldas, com cerca de quatro anos. Até essa idade, devemos concentrar todos os nossos esforços em educar nossos filhos, com limites e com o nosso exemplo de vida. Quando se perde a razão, entra em cena a violência, seja de palavras ou ações, e o objetivo da educação não é chegar a este ponto. Por isso, educar é uma atitude preventiva e contínua, que cria o ser humano, o ser bondoso, ser obediente, ser correto, e todos os adjetivos e substantivos que falem do bem, do amor e do educar com ações e exemplos de vida.