Apresentação


Em 1997, é fundada a Associação dos Pediatras do Hospital Florianópolis, em Florianópolis-SC, que tinha como uma de suas finalidades levar informações aos pediatras catarinenses sobre suas profissões, melhorando, consequentemente, a qualidade de vida da criança catarinense.

Para isso, nasceu a Revista Pediatria Dia a Dia, ainda naquele ano. Hoje, a Revista é referência para os principais pediatras do Brasil, pois informa e atualiza, de forma direta e diferenciada, os mesmos.

Com o objetivo de atingir maior público e de maneira eficaz, com atualização pediátrica em tempo real, viu-se a necessidade da veiculação mensal da Revista Pediatria Dia a Dia, dessa vez, em formato digital.

Apneia obstrutiva do sono em crianças PDF Imprimir E-mail
Colunas - Dra Gabriela Dorothy de Carvalho
Ter, 22 de Dezembro de 2009 07:42

Acredita-se ter sido Willian Hill o primeiro autor a referir-se às paradas respiratórias durante o sono de crianças, mas a apneia obstrutiva do sono ainda não havia sido citada ou estudada até 1889. Entretanto, desde 1837, um personagem (Pickwick) descrito por Charles Dickens, já era apresentado com as características do paciente com ronco e apneia. Durante os anos 50, uma síndrome de hipoventilação alveolar, recebeu o nome de síndrome de Pickwick, por Burwell et all (1956), em referência ao clássico personagem da novela de Charles Dickens, um menino obeso, de apetite voraz, e que apresentava intensa sonolência diurna e, frequentemente, incomodava as pessoas com o seu ronco. Em sua forma clássica, a síndrome incluía obesidade, hipersonolência, respiração periódica com hipoventilação e cor pulmonale.

Quando, em 1965, foram reconhecidas as obstruções na orofaringe, especialmente durante o sono, a Síndrome de Pickwick passou a ser descrita como a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono.

Os distúrbios respiratórios na infância podem variar desde pequenos processos alérgicos até quadros mais graves, como a apneia e os Distúrbios Respiratórios do Sono, e são cada vez mais reconhecidos como importante causa de morbidade em crianças, associados a alterações do desenvolvimento craniofacial, problemas cardiovasculares, baixo desenvolvimento pôndero-estatural e alterações neurocognitivas, como transtornos de déficit de atenção e dificuldades de aprendizado.

Ainda que estejamos cientes de que os Distúrbios Respiratórios do Sono em crianças representam um importante problema de saúde, com maiores consequências possíveis para os indivíduos afetados, para suas famílias e para a sociedade; infelizmente, o mais comum é continuarem sem serem diagnosticados e sem tratamento precoce.

Considerando casos para pesquisa, para o diagnóstico de rinite alérgica é necessário que o paciente apresente sinais e sintomas, além do exame físico característico, passasse pelo teste de hipersensibilidade cutânea positivo. Nos casos de hiperplasia adenoideana, a obstrução da nasofaringe maior de 80%, apontado através de telerradiografia de perfil, o mesmo critério deve ser usado para a tonsila faríngea e a obstrução da orofaringe por tonsilas palatinas graus 3 e 4 de Brodsky.

Pode-se perceber clinicamente e está assegurado, em pesquisas, que a casuística aponta um maior predomínio de meninos, o que está de acordo com outros autores, não somente em relação à maior frequência de respiração bucal, mas também em relação com a apneia do sono da criança em decorrência da hiperplasia adenoamigdaliana, que é mais frequente no sexo masculino.

Shiomi et all (1993) mostraram graves alterações cardíacas através de ecocardiograma contínuo. Para tal, a criança deve estar dormindo. Essas alterações podem passar despercebidas em exame realizado com a criança acordada. Esse fato e o de que, ao eletrocardiograma (ECG) e raio X de tórax, muitas vezes não são observadas alterações, fica dificultado o diagnóstico prévio de repercussão cardiovascular na criança com SAHOS.

Pelos exames realizados, ficou evidenciado um aumento do diâmetro e da área do ventrículo direito em sístole e diástole. A variação entre sístole e diástole da área do ventrículo direito era menor. No ventrículo esquerdo, foi registrada diminuição do diâmetro diastólico, uma menor fração de ejeção e um encurtamento menor.

Outros estudos mostram que crianças em vias de adenotonsilectomia por obstrução das VAS no sono já apresentam alterações na morfologia e na função cardíaca. Infelizmente, não podemos classificar a gravidade de obstrução das VAS nessas crianças para correlacionar o grau de alterações ecocardiográficas com o número de eventos respiratórios obstrutivos ou de dessaturações da oxihemoglobina. Nesse estudo, não incluíram a polissonografia e também não é citada a monitorização cardiorespiratória, para indicação de adenotonsilectomia por obstrução das VAS, para quantificar os eventos respiratórios obstrutivos no sono e confirmar o diagnóstico de SAHOS (Shiomi (2007). Conclui-se, então, que as alterações morfológicas e funcionais cardíacas encontradas em ventrículo direito e ventrículo esquerdo sugerem que obstrução respiratória no sono em crianças pode levar a repercussões cardiovasculares. Essas alterações podem expôr as crianças a um maior risco anestésico e cirúrgico

Diante do exposto, acreditamos ser da maior importância avaliar a morfologia e a função cardíaca de crianças com distúrbios respiratórios obstrutivos por hipertrofia das tonsilas, através de ecocardiograma.

LEGENDAS

REM – Rapid Eyes Movement – Movimentos Oculares Rápidos

NREM – Não REM – Todos os estágios de sono que não o sono REM

EEG – eletrencefalograma

EMG – eletromiograma

EOG – eletrooculograma

ECG – eletrocardiograma

SAO2 - Saturação de oxigênio arterial

Na América do Norte, as publicações chegam a 60 modelos de diferentes aparelhos para a apneia do sono em adultos e a maioria dos trabalhos são feitos objetivando o tratamento da SAOS para pacientes adultos, mas... E as crianças? Com etiologia diferente, sintomatologia diferente, fisiopatologia diferente, sua apresentação clínica, sintomas, a polisonografia e as seqüelas, também diferentes... A aparatologia não poderia ser igual para adultos e crianças.

BIBLIOGRAFIA: Será apresentada ao final do trabalho que terá continuidade na próxima edição.