Apresentação


Em 1997, é fundada a Associação dos Pediatras do Hospital Florianópolis, em Florianópolis-SC, que tinha como uma de suas finalidades levar informações aos pediatras catarinenses sobre suas profissões, melhorando, consequentemente, a qualidade de vida da criança catarinense.

Para isso, nasceu a Revista Pediatria Dia a Dia, ainda naquele ano. Hoje, a Revista é referência para os principais pediatras do Brasil, pois informa e atualiza, de forma direta e diferenciada, os mesmos.

Com o objetivo de atingir maior público e de maneira eficaz, com atualização pediátrica em tempo real, viu-se a necessidade da veiculação mensal da Revista Pediatria Dia a Dia, dessa vez, em formato digital.

Baixa estatura: quando intervir com hormônio de crescimento PDF Imprimir E-mail
Colunas - Dra Marilza Leal Nascimento
Ter, 22 de Dezembro de 2009 07:49

Indicações não licenciadas: Síndrome de Noonan e Aaskorg, displasias esquelética, artrite reumatóide e corticoterapia prolongada.

Indicações licenciadas: Deficiência de hormônio de crescimento, Síndrome de Turner, insuficiência renal crônica, retardo de crescimento intra uterino, baixa estatura idiopática (EUA), Síndrome Prader-Willi.

Deficiência de hormônio de crescimento (GH): causa pouco frequente de baixa estatura (5% dos casos triados para as unidades de endocrinologia), 1: 10.000 nascidos vivos. O quadro clínico depende da idade de início, etiologia e gravidade da deficiência.

São características clínicas da deficiência de hormônio de crescimento: relação SS/SI normal; fácies típico, arredondado, protrusão do osso frontal, maxilares pequenos, nariz em sela; fechamento tardio das suturas; voz fina, aguda, infantil (hipoplasia da laringe); cabelos finos, ralos, dentição retardada; peso menos comprometido, adiposidade abdominal, redução da massa muscular; mãos e pés pequenos; perímetro cefálico no limite inferior; circunferência cerebral e inteligência normais.

Dificuldades no diagnóstico de deficiência GH/IGF: dosagem de hormônio de crescimento (GH) medida em amostras isoladas não representa qualquer valor diagnóstico; secreção pulsátil (fases 3 e 4 sono), varia com a idade, estágio puberal, padrão alimentar e nutricional, atividade física, sono, estresse, esteroides sexuais, hormônios tireoidianos, varia no mesmo indivíduo em dias subsequentes.

Como diagnosticar a deficiência de GH: testes provocativos de secreção de HC (com estímulo farmacológico de clonidina, ITT); IGF-I; IGFBP-3; idade óssea (IO); exames de Imagem (RNM hipófise) e estudos moleculares.

RNM hipófise: sempre indicado na deficiência de hormônio de crescimento. Através dela, podemos observar lesões tumorais, inflamatórias ou congênitas; hipófise hipoplásica associada ou não à neuro-hipófise ectópica, sela vazia, agenesia haste hipofisária e neuro-hipófise ectópica: 50 a 100% nas deficiências múltiplas e 30 a 40% na DGH isolada.

Tratamento: hormônio de crescimento 0,1UI/kg/dia. Se tratamento iniciado mais precocemente, maior o ganho final e possibilidade de atingir estatura alvo.

Disfunção neuro-secretória de GH: testes farmacológicos de estímulo ao GH responsivos, responde à terapia com GH, é comum após radioterapia de hipotálamo-hipófise.

Síndrome de Turner: afeta 1:2500 nascidos vivos do sexo feminino. Ocorre monossomia completa ou parcial do cromossomo X com fenótipo feminino. Em 50% dos casos, o cariótipo é 45,XO. O cromossomo Y está presente em até 6% das ST.

São características clínicas da Síndrome de Turner: baixa estatura, inteligência normal, micrognatia, cúbito valgo, implantação baixa de cabelos e orelhas,  palato arqueado, 4° metacarpo curto, nevos múltiplos, pterígio coli, linfedema de mãos e pés, unhas displásicas, escoliose, deformidade de Madelung,  pescoço curto, tórax largo, aumento da distância      inter-mamilar, epicanto, defeitos cardíacos congênitos, doença isquêmica coronariana prematura, malformações renais, alterações otológicas e oftalmológicas, nevos, falência ovariana precoce, maior incidência de  hipotireoidismo e doença celíaca.

Não há evidencias de deficiência de GH.  Pode estar relacionado a uma resposta deficiente do GH, combinada com uma displasia óssea subjacente resultante da haploinsuficiência do gene SHOX, assim  como de outros gens localizados  no braço curto do  cromossoma X.

Tratamento: o tratamento de escolha é o GH, que deve ser iniciado assim que seja demonstrada a falha no crescimento (queda no percentil estatural, que é  individualizada). A dose: 0,15 UI/kg/dia, ajustada de acordo com resposta de crescimento e níveis de IGF1 (não exceder limites da normalidade). O GH deve ser mantido até a idade óssea 14 anos ou VC ≤2cm/ano.  Há um ganho de aproximadamente 7-10 cm na estatura final.

RCIU / PIG/ Prematuro extremo: afeta 3-10% dos recém-nascidos.

Existem vários critérios para definir PIG: PN < 10º ou 5º percentil para IG; PN < 2.500g (termo); PN e/ou CN < 2DP para IG. RN prematuros extremos são bebês com idade gestacional abaixo de 27 semanas.

A recuperação do crescimento, em geral, ocorre nos 2 primeiros anos de vida, podendo recuperar até 4 anos. Sendo que 10 a 15% não recuperam (simétricos ou precoces). Iniciam puberdade mais precoce, com estirão puberal também menor.

As causas da falta de recuperação pós-natal não estão definidas: alterações no eixo GH-IGF1? Diminuição dos pulsos de GH? Resistência periférica? Parece que a deficiência de GH não é um fator preponderante, por isso não é indicado fazer teste de estímulo.

Possuem idade óssea atrasada, mas ocorre um processo anormal de maturação óssea, sendo difícil calcular a previsão de estatura final. Ocorre perda final de estatura do dobro da perda intra-uterina.

Tratamento: dose maior de GH (0,15 a 0,2 U/kg/dia) e mais precoce (¯ 6 anos em especial entre 2 a 4 anos de idade): maior ganho final. Iniciar com 0,1UI/kg/dia e ajustar conforme peso ou iniciar com 0,15UI/kg/dia. Normalizar estatura antes da puberdade.

Existe associação com síndrome plurimetabólica: teoria da reprogramação fetal (menor suprimento de nutrientes para o feto alterariam desenvolvimento neuroendócrino) e do envolvimento genético. Controlar metabolismo de carboidratos e lipídeos durante tratamento com GH.

Insuficiência Renal Crônica: IRC: RFG < 75ml/min/1,73m²SC. Apresentam atraso no crescimento devido à desnutrição, anemia, acidose metabólica, osteodistrofia renal, eixo GH/IGF1: resistência (­GH, ¯IGF, ¯ GHR, ¯ JAK/STAT, ­IGFBPs), glicocorticóides, atraso puberal e estirão menor.

Tratamento: GH 0,15UI/kg/dia. Início mais precoce = maior ganho final, no pré-transplante (ou após 1 ano esse).

Baixa estatura idiopática: estatura inferior a 2 SD em relação à estatura média para idade e  sexo do grupo populacional, ausência de doença de etiologia conhecida, excluídas outras causas prováveis de baixa estatura, tamanho normal (>2 SD) para idade gestacional ao nascimento, ausência de doença psiquiátrica ou distúrbio emocional grave, ausência de doença crônica orgânica e de doença endócrina, proporções corporais normais. A velocidade de crescimento pode ser lenta ou normal.

São indicações do FDA para terapia com GH na baixa estatura idiopática (BEI): sem diagnóstico de deficiência de GH, exclusão de causas tratadas de outra forma, de causas genéticas, displasias e síndromes. Estatura inferior a 2 SD para o sexo e idade. Epífises abertas e ritmo de crescimento insatisfatório para atingir estatura de adulto normal.

Tratamento: Considerar aspecto psicológico. Há melhor resposta quanto mais atrasada a idade óssea, quanto mais precoce o início do tratamento e em pacientes com atraso puberal. Há aumento de ±7cm.  Resposta melhor com doses mais altas de GH (0,15U/kg/dia). Resposta no 1º ano é a mais importante (ver ­VC, ↓DP). Monitorizar IGF1 (manter níveis normais). Considerar uso de análogo GnRH ou inibidores da aromatase para aqueles em que o início do uso de GH ocorre já no início da puberdade (IO 12 a 13 anos nas e 13 a 14 anos nos ). Parar o tratamento se  VC 14 anos e > 16 anos .

Síndrome de Prader Willi: afeta 1:12.000 nascidos. Caracteriza-se por deficiência mental, hipotonia muscular, excesso de apetite, obesidade progressiva, baixa estatura, hipogonadismo, distúrbios do sono e do comportamento.

O comprometimento na altura e a falta dos efeitos anabólico e lipolítico do hormônio de crescimento (GH) estão relacionados à secreção reduzida do GH e, consequentemente, de IGF-I.

O tratamento com GH promove aumento da velocidade de crescimento; melhora a composição corpórea; diminui a massa adiposa e aumenta a massa magra e óssea; melhora no desempenho motor; mais agilidade, atenuando as dificuldades sociais.

Os problemas de crescimento constituem-se na causa mais frequente de procura aos ambulatórios de endocrinologia pediátrica. É, no entanto, o pediatra, no seu cuidadoso acompanhamento da criança e na sua avaliação criteriosa da curva de crescimento, quem vai suspeitar que algo de errado possa estar ocorrendo com o seu paciente. É, a partir daí, que os diagnósticos serão feitos e que a melhor conduta terapêutica poderá ser instituída.