Apresentação


Em 1997, é fundada a Associação dos Pediatras do Hospital Florianópolis, em Florianópolis-SC, que tinha como uma de suas finalidades levar informações aos pediatras catarinenses sobre suas profissões, melhorando, consequentemente, a qualidade de vida da criança catarinense.

Para isso, nasceu a Revista Pediatria Dia a Dia, ainda naquele ano. Hoje, a Revista é referência para os principais pediatras do Brasil, pois informa e atualiza, de forma direta e diferenciada, os mesmos.

Com o objetivo de atingir maior público e de maneira eficaz, com atualização pediátrica em tempo real, viu-se a necessidade da veiculação mensal da Revista Pediatria Dia a Dia, dessa vez, em formato digital.

Obesidade - O que há de novo no tratamento PDF Imprimir E-mail
Colunas - Dra Rose Marie Mueller Linhares
Ter, 22 de Dezembro de 2009 07:16

A obesidade é caracterizada pela presença de uma maior quantidade de tecido adiposo que o esperado para o sexo, idade e altura, comparada à massa magra. É uma doença crônica de difícil tratamento, portanto, a grande arma é a prevenção.

 

Epidemiologia

Obesidade na infância e na adolescência é o problema nutricional que mais cresce no mundo. É o maior fator de risco para obesidade no adulto. Obesidade é a principal causa de morte evitável em dez anos, superando cigarro 1:10 crianças no mundo – 155 milhões no Brasil. Em 20 anos, aumentou de 3 para 15% o número de crianças com sobrepeso, 5% obesos 40%. População do Brasil está acima do peso. No Brasil, estima-se um gasto de 1,5 bilhão de reais, por ano, com essa população.

 

Problema de saúde pública, pois aumenta casos de doenças crônicas como:

–Hipertensão arterial sistêmica

–Hiperlipidêmica

–Diabetes mellitus tipo 2, Resistência Insulínica

–Problemas ortopédicos

–Doenças respiratórias

–Distúrbios psicológicos

–Discriminação social

 

Hereditariedade:

Pais obesos - 80 a 90%

Um só obeso - 40%

Pais magros - 14%

 

Risco de Obesidade:

10 a 20% lactentes obesos – crianças obesas

40% crianças obesas – adolescentes obesos

75 a 80% adolescentes obesos – adultos obesos

 

Fisiologia:

Há um complexo mecanismo, mediado por neurotransmissores, que participam do estímulo fome-saciedade, ilustrados abaixo:

PEPTÍDEOS GASTROINTESTINAIS LIBERADOS NO JEJUM, DURANTE E DEPOIS DA ALIMENATAÇÃO Jejum durante a alimentação

 

AP área postrema (região do tronco cerebral possui neurônios sensíveis a glicose)

DMVN núcleo vagal motor dorsal

 

Etiologia da Obesidade:

Vários fatores estão envolvidos e embricados na etiologia da obesidade:

Ambientais: comportamento alimentar, atividade física, hábitos pessoais, culturais

Genéticos

 

Fatores Ambientais:

Alimentação inadequada e Sedentarismo

 

Genéticos

Neuropeptídeos Hipotalâmicos implicados em alimentação e drogadição

 

Thiele, 2003

 

Nestler, 2003

 

Diagnóstico

Utiliza as variáveis peso e estatura da criança, calculando o Índice de Massa Corpórea (IMC), cujo valor deverá ser acompanhado nos gráficos específicos, como estão ilustrados abaixo

IMC= Peso (kg) / Altura (m) 2

 

Avaliação da criança obesa

Anamnese

Exame físico

Exames laboratoriais

 

Anamnese

Pré natal, ganho de peso na gestação

Peso e altura do nascimento

Aleitamento materno e início de introdução de sólidos

Idade de início da obesidade

História familiar de obesidade e comorbidades

Hábitos alimentares e de atividade física (limitações, dificuldades respiratórias, roncos, apnéia do sono, dores articulares)

Horário em que acorda, em que vai dormir

Nível sócio-econômico

TV, computador (horas)

Atitude da família frente à obesidade

Atitude da criança frente ao problema

 

Exame físico

Peso, estatura, circunferência abdominal

FC, FR, pressão arterial

Palpação tireoideana

Pele (umidade, acantose nigricans, estrias)

Cabelos, unhas

Alterações ortopédicas, cardiorrespiratórias

Perfil psicológico (auto-estima)

 

Exames complementares

Glicemia de jejum

Insulina de jejum

Lipidograma

Hemograma

Função hepática

Idade óssea

TOTG em > 10 anos com história familiar

Estudo genético

Outros de acordo com o quadro, como USG hepática, pélvica...

 

Tratamento

Deve ser indicado para crianças obesas

Deve ser iniciado em crianças e famílias orientadas e motivadas a fazer as mudanças de hábitos

Equipe multidisciplinar: pediatra, especialista, nutricionista, psicólogo, preparador físico

Atuação junto à criança e família responsável (individual e familiar)

A família deve aprender a proteger sua criança

Motivação com ênfases positivas, de forma lúdica, com apoio emocional

 

Intervenção Clínica

Crianças menores de 2 anos:

Manutenção do peso para IMC > 95 com ajuste da alimentação, dieta normocalórica

Crianças de 2 a 7 anos:

Manutenção do peso para IMC > 95 sem complicações

Perda de peso para IMC > 95 com complicações (HAS, resistência insulínica, ortopédicos, respiratórios)

Crianças com 7 anos ou mais:

Perder peso se IMC > 95 sempre

Perder peso se IMC > 85 < 95 com complicações

Mudanças de hábitos sempre que o IMC > 85 em qualquer idade, orientada pelo pediatra, principalmente em famílias com história familiar de HAS, dislipidemia, resistência insulínica

 

Encaminhar para avaliação endócrina

IMC > 85 < 95 com complicações

IMC > 95

Sinais sugestivos de síndrome genética

Estatura abaixo do alvo familiar

Baixa velocidade de crescimento com ganho de peso

Sinais/sintomas de endocrinopatias

 

Hábitos saudáveis

Alimentação equilibrada com menos açúcar, gordura e sal, um maior teor de fibras e nutrientes, com disciplina na qualidade e quantidade dos nutrientes, horários regulares de refeições, com uma rotina organizada

Incentivo ao aleitamento materno

Exemplo e participação de toda a família

Alimentação saudável para todos!!

Prática de atividade física por no mínimo 30 minutos ao dia.

Crianças saudáveis devem fazer até 60 minutos ao dia de exercícios moderados a vigorosos (estimular atividades de forma lúdica, adequada para cada idade, como pedalar, caminhar, nadar, correr, esportes com bola)

Redução dos horários de TV e computador para menos de 2h ao dia (14 h/sem)

Rotina para acordar e dormir cedo, dislipidemia, problemas

 

Apoio psicológico

Motivação

Tratamento com medicamentos

As drogas para tratar a obesidade entram em 4 categorias:

1. Ação em SNC, alterando neurotransmissores serotonina, norepinefrina e dopamina

2. Ação em SNC, alterando leptina e insulina / glicose

3. Ação em peptideos gastrointestinais

4. Ação em gasto metabólico basal

# Combinação de drogas

Ao ativar receptores que estão relacionados à fome e à saciedade, há ativação de receptores que estão relacionados a funções cognitiva, emocional, sensorial e motora

“molecular network”

Difícil abordagem na infância

 

Monoterapia, quando há obesidade que não respondeu às mudanças propostas, ou sobrepeso com comorbidades. Liberados pelo FDA, apenas 2:

Sibutramina (após 16 anos): sacietógeno, aumenta a recaptação de serotonina e norepinefrina , diminui recaptação da dopamina, inibindo o apetite

Orlistat (após 12 anos): inibe a lipase intestinal e reduz a absorção de gordura em 30%

Metformina (após 10 anos): reduz a produção de glicose hepática, melhora a resistência insulínica, aumenta a GLP-1 (Glucagon-like Peptideo), melhorando a saciedade. Não liberado pelo FDA para tratar obesidade, mas usado para co-morbidades, com melhora da perda de peso. Usado em DM2 e Síndrome dos Ovários Policísticos

 

Tratamento Cirúrgico

Cirurgia bariátrica:

IMC > 50

IMC > 40 com comorbidade

Paciente em fase puberal Tanner 4-5

Somente em casos de falha do tto clínico

Técnicas:

Banda gástrica

Y de Roux