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A obesidade é caracterizada pela presença de uma maior quantidade de tecido adiposo que o esperado para o sexo, idade e altura, comparada à massa magra. É uma doença crônica de difícil tratamento, portanto, a grande arma é a prevenção.
Epidemiologia
Obesidade na infância e na adolescência é o problema nutricional que mais cresce no mundo. É o maior fator de risco para obesidade no adulto. Obesidade é a principal causa de morte evitável em dez anos, superando cigarro 1:10 crianças no mundo – 155 milhões no Brasil. Em 20 anos, aumentou de 3 para 15% o número de crianças com sobrepeso, 5% obesos 40%. População do Brasil está acima do peso. No Brasil, estima-se um gasto de 1,5 bilhão de reais, por ano, com essa população.
Problema de saúde pública, pois aumenta casos de doenças crônicas como:
–Hipertensão arterial sistêmica
–Hiperlipidêmica
–Diabetes mellitus tipo 2, Resistência Insulínica
–Problemas ortopédicos
–Doenças respiratórias
–Distúrbios psicológicos
–Discriminação social
Hereditariedade:
Pais obesos - 80 a 90%
Um só obeso - 40%
Pais magros - 14%
Risco de Obesidade:
10 a 20% lactentes obesos – crianças obesas
40% crianças obesas – adolescentes obesos
75 a 80% adolescentes obesos – adultos obesos
Fisiologia:
Há um complexo mecanismo, mediado por neurotransmissores, que participam do estímulo fome-saciedade, ilustrados abaixo:
PEPTÍDEOS GASTROINTESTINAIS LIBERADOS NO JEJUM, DURANTE E DEPOIS DA ALIMENATAÇÃO Jejum durante a alimentação
AP área postrema (região do tronco cerebral possui neurônios sensíveis a glicose)
DMVN núcleo vagal motor dorsal
Etiologia da Obesidade:
Vários fatores estão envolvidos e embricados na etiologia da obesidade:
Ambientais: comportamento alimentar, atividade física, hábitos pessoais, culturais
Genéticos
Fatores Ambientais:
Alimentação inadequada e Sedentarismo
Genéticos
Neuropeptídeos Hipotalâmicos implicados em alimentação e drogadição
Thiele, 2003
Nestler, 2003
Diagnóstico
Utiliza as variáveis peso e estatura da criança, calculando o Índice de Massa Corpórea (IMC), cujo valor deverá ser acompanhado nos gráficos específicos, como estão ilustrados abaixo
IMC= Peso (kg) / Altura (m) 2
Avaliação da criança obesa
Anamnese
Exame físico
Exames laboratoriais
Anamnese
Pré natal, ganho de peso na gestação
Peso e altura do nascimento
Aleitamento materno e início de introdução de sólidos
Idade de início da obesidade
História familiar de obesidade e comorbidades
Hábitos alimentares e de atividade física (limitações, dificuldades respiratórias, roncos, apnéia do sono, dores articulares)
Horário em que acorda, em que vai dormir
Nível sócio-econômico
TV, computador (horas)
Atitude da família frente à obesidade
Atitude da criança frente ao problema
Exame físico
Peso, estatura, circunferência abdominal
FC, FR, pressão arterial
Palpação tireoideana
Pele (umidade, acantose nigricans, estrias)
Cabelos, unhas
Alterações ortopédicas, cardiorrespiratórias
Perfil psicológico (auto-estima)
Exames complementares
Glicemia de jejum
Insulina de jejum
Lipidograma
Hemograma
Função hepática
Idade óssea
TOTG em > 10 anos com história familiar
Estudo genético
Outros de acordo com o quadro, como USG hepática, pélvica...
Tratamento
Deve ser indicado para crianças obesas
Deve ser iniciado em crianças e famílias orientadas e motivadas a fazer as mudanças de hábitos
Equipe multidisciplinar: pediatra, especialista, nutricionista, psicólogo, preparador físico
Atuação junto à criança e família responsável (individual e familiar)
A família deve aprender a proteger sua criança
Motivação com ênfases positivas, de forma lúdica, com apoio emocional
Intervenção Clínica
Crianças menores de 2 anos:
Manutenção do peso para IMC > 95 com ajuste da alimentação, dieta normocalórica
Crianças de 2 a 7 anos:
Manutenção do peso para IMC > 95 sem complicações
Perda de peso para IMC > 95 com complicações (HAS, resistência insulínica, ortopédicos, respiratórios)
Crianças com 7 anos ou mais:
Perder peso se IMC > 95 sempre
Perder peso se IMC > 85 < 95 com complicações
Mudanças de hábitos sempre que o IMC > 85 em qualquer idade, orientada pelo pediatra, principalmente em famílias com história familiar de HAS, dislipidemia, resistência insulínica
Encaminhar para avaliação endócrina
IMC > 85 < 95 com complicações
IMC > 95
Sinais sugestivos de síndrome genética
Estatura abaixo do alvo familiar
Baixa velocidade de crescimento com ganho de peso
Sinais/sintomas de endocrinopatias
Hábitos saudáveis
Alimentação equilibrada com menos açúcar, gordura e sal, um maior teor de fibras e nutrientes, com disciplina na qualidade e quantidade dos nutrientes, horários regulares de refeições, com uma rotina organizada
Incentivo ao aleitamento materno
Exemplo e participação de toda a família
Alimentação saudável para todos!!
Prática de atividade física por no mínimo 30 minutos ao dia.
Crianças saudáveis devem fazer até 60 minutos ao dia de exercícios moderados a vigorosos (estimular atividades de forma lúdica, adequada para cada idade, como pedalar, caminhar, nadar, correr, esportes com bola)
Redução dos horários de TV e computador para menos de 2h ao dia (14 h/sem)
Rotina para acordar e dormir cedo, dislipidemia, problemas
Apoio psicológico
Motivação
Tratamento com medicamentos
As drogas para tratar a obesidade entram em 4 categorias:
1. Ação em SNC, alterando neurotransmissores serotonina, norepinefrina e dopamina
2. Ação em SNC, alterando leptina e insulina / glicose
3. Ação em peptideos gastrointestinais
4. Ação em gasto metabólico basal
# Combinação de drogas
Ao ativar receptores que estão relacionados à fome e à saciedade, há ativação de receptores que estão relacionados a funções cognitiva, emocional, sensorial e motora
“molecular network”
Difícil abordagem na infância
Monoterapia, quando há obesidade que não respondeu às mudanças propostas, ou sobrepeso com comorbidades. Liberados pelo FDA, apenas 2:
Sibutramina (após 16 anos): sacietógeno, aumenta a recaptação de serotonina e norepinefrina , diminui recaptação da dopamina, inibindo o apetite
Orlistat (após 12 anos): inibe a lipase intestinal e reduz a absorção de gordura em 30%
Metformina (após 10 anos): reduz a produção de glicose hepática, melhora a resistência insulínica, aumenta a GLP-1 (Glucagon-like Peptideo), melhorando a saciedade. Não liberado pelo FDA para tratar obesidade, mas usado para co-morbidades, com melhora da perda de peso. Usado em DM2 e Síndrome dos Ovários Policísticos
Tratamento Cirúrgico
Cirurgia bariátrica:
IMC > 50
IMC > 40 com comorbidade
Paciente em fase puberal Tanner 4-5
Somente em casos de falha do tto clínico
Técnicas:
Banda gástrica
Y de Roux
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