Apresentação


Em 1997, é fundada a Associação dos Pediatras do Hospital Florianópolis, em Florianópolis-SC, que tinha como uma de suas finalidades levar informações aos pediatras catarinenses sobre suas profissões, melhorando, consequentemente, a qualidade de vida da criança catarinense.

Para isso, nasceu a Revista Pediatria Dia a Dia, ainda naquele ano. Hoje, a Revista é referência para os principais pediatras do Brasil, pois informa e atualiza, de forma direta e diferenciada, os mesmos.

Com o objetivo de atingir maior público e de maneira eficaz, com atualização pediátrica em tempo real, viu-se a necessidade da veiculação mensal da Revista Pediatria Dia a Dia, dessa vez, em formato digital.

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Colunas - Opinião
Ter, 29 de Novembro de 2011 16:32

Da Redação - O Globo

O estilo de vida é fundamental para determinar quanto cada um vai viver, dizem especialistas. As descobertas da medicina fazem a outra parte

O sonho de unir longevidade e qualidade de vida está cada vez mais próximo. Pesquisadores garantem que o ser humano capaz de viver 150 anos já nasceu, e o IBGE diz que a expectativa de vida no Brasil deve chegar a 81 anos em 2050. Exames médicos sofisticados começam a adiar as ameaças à vida: em três ou quatro anos, por exemplo, deverá ser possível fazer o sequenciamento do genoma de cada pessoa e tratar a partir dele os problemas relacionados ao envelhecimento, das doenças vasculares ao Parkinson e o Alzheimer. A estimativa é do médico Alexandre Kalache, ex-diretor do Programa de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial de Saúde e membro da Academia de Medicina de Nova York. Viveremos mais. A qualidade desta vida prolongada, porém, depende dos nossos hábitos. A terapia celular, diz a bióloga Tatiana Coelho-Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, já é usada em doenças hematológicas e, experimentalmente, nas autoimunes, como a esclerose múltipla. Melhor que apostar nos avanços da medicina, porém, é se cuidar.

— Desde criança, a pessoa pode cultivar hábitos que terão impacto futuramente — diz o geriatra Márcio Niemeyer, afirmando que a hora de se preparar para envelhecer é agora.

 

— Falo de fazer atividade física, ter dieta equilibrada, evitar fumo, álcool e drogas e reduzir o estresse. É preciso, ao menos, compensá-lo com entretenimento.

No Brasil, segundo o Censo de 2010, as pessoas com 60 anos ou mais já são cerca de 20,6 milhões, ou 10,79% da população. Na outra ponta, a expectativa de vida ao nascer aumenta, em média, quatro meses e 12 dias por ano. Niemeyer diz que o envelhecimento começa por volta dos 30 anos, com a redução da produção de hormônio do crescimento. Além do estilo de vida, para avaliar o processo há que se levar em conta o histórico familiar e informações genéticas.

— O geriatra faz uma anamnese, informa-se sobre o ambiente familiar e avalia psicológica, comportamental e fisicamente o paciente. Feito isso, pede os exames necessários e orienta-o no sentido do que fazer para chegar a uma idade avançada com qualidade.

Presidente da Academia Brasileira de Medicina Antienvelhecimento, o cirurgião plástico Kobe Horibe acrescenta um dado que considera essencial à fórmula da longevide: a espiritualidade.

— Já temos certeza de que a saúde é uma construção individual, e que a mente é tão importante quanto o corpo. Se buscarmos a espiritualidade, no sentido de estarmos em harmonia com a natureza, diminuiremos o estresse e condicionaremos nosso organismo a ter mais equilíbrio. A OMS reconhece que espiritualidade é um dos componentes da saúde.

Alexandre Kalache diz que cada um deve fazer a sua parte:

— Nunca é tarde. Quem começa a fazer exercícios, em qualquer idade, tem ganhos na capacidade ventilatória e melhoras osteomusculares e emocionais. E, quando a pessoa é ativa, consegue fazer sua higiene e comer sozinha, sai para fazer compras, entre outras atividades, se sente melhor, por continuar sendo atuante na sociedade.

O médico, porém, ressalta que fatores sociais, econômicos e ambientais também influenciam diretamente a saúde de cada indivíduo.

— Deve-se prestar atenção às determinantes sociais, e não só culpar as pessoas. Tem gente que envelhece mal porque tem um trabalho estressante, pega um transporte público ruim, ganha mal, mantém o filho em casa, diante da televisão, por morar numa comunidade violenta e temer que lhe aconteça algo. Não se pode esperar que alguém assim, no fim do dia, tenha capacidade para, por exemplo, praticar jogging. Da mesma forma, se a pessoa não é fumante, mas vive numa cidade como São Paulo, está exposta a uma atmosfera terrível.

Publicado em 19 de novembro de 2011.

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