Amplamente disseminada entre jovens e adultos, a nova moda para emagrecer é uma dieta conhecida como ração humana - uma mistura feita com vários alimentos, entre eles cereais integrais. Especialistas em nutrição advertem, porém, que, apesar de promover o emagrecimento a curto prazo, a ração não deve substituir refeições, nem ser usada como método para perder peso com saúde.
O mesmo vale para produtos como shakes e sopas em pó, também muito consumidos como substitutos de refeições. "Todas as dietas da moda têm o mesmo objetivo. Elas até fazem a pessoa emagrecer mais rápido, mas ninguém consegue mantê-las por muito tempo. Muitos desistem no meio e voltam a ganhar peso. Além disso, a médio prazo, a pessoa pode ter problemas por causa do deficit nutricional", diz Daniel Magnoni, nutrólogo e cardiologista do Hospital do Coração. Magnoni acrescenta, ainda, que, apesar de normalmente ser ingerida com um complemento (como iogurte, sucos, frutas ou leite), ela é pobre em proteína. "A pessoa emagrece porque a ração tem pouco sódio e pouco carboidrato, mas ela nunca deve substituir uma refeição saudável e equilibrada." Segundo o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), de tempos em tempos surgem dietas populares que prometem "fazer milagres" na perda de peso. "Todo mundo quer encontrar a dieta, a cirurgia e a atividade física mágicas. Mas não é fácil perder peso com saúde. Só consegue emagrecer e continuar magro quem muda hábitos alimentares e pratica exercícios físicos", diz Ribas Filho. Quem usa a ração para emagrecer normalmente ingere cerca de 20 g (ou duas colheres das de sopa) do produto por dia, que pode ser adicionado a sucos, vitaminas, iogurtes, salada de frutas ou até mesmo água. De maneira geral, os especialistas consultados pela Folha dizem que a composição da ração humana é saudável, mas que ela nunca deve substituir uma refeição - apenas ser aliada de uma dieta equilibrada. "A ração humana tem ingredientes importantes e até funciona como emagrecedor, mas o efeito é temporário. Também não é recomendada como dieta por nutricionistas. Pode ser usada uma vez na semana para substituir uma refeição, mas não deve ser a regra", diz Mariana Del Bosco, nutricionista da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica). O roteirista Rogério Mestriner, 28, foi adepto da ração humana, mas agora decidiu dar um tempo para o organismo. "Todos os dias, eu tomava duas colheres de ração misturada com um copo de água no lugar do café da manhã e também substituía o jantar pela ração, mas misturava com iogurte para me satisfazer mais", diz. Para se policiar, comia amêndoas, castanhas ou damascos a cada três horas. Depois de um mês, perdeu 3,5 quilos, mas decidiu dar um tempo na dieta. "O sabor é muito ruim. Tem que ter uma força de vontade incrível", disse.
Shakes e sopas Outros exemplos de dietas problemáticas são sopas e shakes. "Os shakes podem ter mais proteínas dependendo da marca. Só que não são nutricionalmente completos. Alguns têm poucas fibras, outros pouca proteína. Ao longo do tempo, as pessoas sofrem com o efeito sanfona'[engorda e emagrece]", diz Magnoni. Sopas em pó, vendidas em embalagens individuais, também não servem como refeição. "São ricas em sódio e pobres em proteínas, o que pode provocar danos à saúde, e não saciam. O resultado é o mesmo das outras dietas promissoras", afirma ele. Segundo os especialistas, a dieta saudável depende de uma alimentação com cerca de 60% de carboidratos, de 25% a 30% de gordura, de 15% a 20% de proteínas, além de vitaminas, fibras e sais minerais. "Quem quer emagrecer com saúde deve investir em um processo de reeducação alimentar. E, para isso, essas dietas não funcionam", conclui Del Bosco.
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